quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Padre Gregório, um homem iluminado

Pe. Léon Lambert Joseph Grégoire (1925-2011)
...Na década de setenta,
A seca a tudo assolava,
Mas, para nos ajudar,
Da Bélgica ele chegava:
O Padre Leon Gregório,
Que, sem muito falatório,
As mangas arregaçava.


Pôs-se logo a trabalhar
Este padre abençoado.
Muitas obras sociais
Promovia, abnegado.
Não só das almas cuidava,
Também do corpo tratava,
Sempre muito dedicado.

Fez creche, jardim de infância
Para o seu povo carente.
Cuidou também da saúde,
Deu casa pra muita gente,
Distribuiu alimentos,
Atenuou sofrimentos,
Cuidou de são e doente...

SANTOS, Jorge Henrique Vieira. "Glória" cantada em versos: 80 anos de emancipação política. Literatura de cordel. Aracaju: Gráfica Editora J. Andrade, 2008, p. 22-23.

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segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Homenagem ao Padre Léon Grégoire

Sobre homens e pedras

Ele não nasceu um fecundo missionário da Boa Nova, nem um grande exemplo de homem, muito menos um símbolo de amor ao próximo, de fraternidade e de humildade. Nasceu, como qualquer criança, apenas uma pequena e frágil promessa, uma imprevisível e ilimitada possibilidade de vida, de ação, de novidade e de transformação.

Cada nascimento traz consigo uma renovação da vida e uma transformação do mundo. Da mesma forma, quando atiramos uma pedrinha no imenso mar, este se torna um mar diferente, novo. Embora vejamos as mesmas águas, elas agora guardam um segredo recôndito em suas profundezas. A novidade do mar é conter uma pedrinha a mais: a nossa pedrinha. Cada ser humano, pelo simples fato de seu nascimento, revigora o mundo como uma pedrinha depositada nas profundezas da vida.



No entanto, algumas pedrinhas permanecem imóveis no fundo do oceano, fixas e acomodadas num único lugar. Embora elas sejam a essência da novidade, não produzem mudanças de grande alcance. Outras entendem a linguagem das águas e não se imobilizam, mas rolam. Seu movimento interfere no próprio movimento das águas que as envolvem, modificando as marés futuras. As pedras que se movimentam, às vezes, agrupam-se em volumes enormes e, unidas, edificam barreiras no fundo do mar. Barreiras assim são capazes de mudar definitivamente o curso das águas.

Um verdadeiro homem se constrói por seus atos e suas palavras. Sua ação e seu discurso põem em movimento sua vida. É o que diz e o que faz em sua jornada que determinam o alcance da renovação do mundo que sua vida tem o poder de produzir. Quando age e diz, este homem se singulariza e se torna único.


Como as pedras são arremessadas ao mar, os homens são lançados à vida pelo Criador. Cabe a cada um permanecer imóvel ou se pôr em movimento. Cabe a cada um fazer-se pequena novidade no curso da vida ou modificar as águas da história. Cabe a cada um tornar-se único. Tornar-se singular é uma tarefa que só é possível pela ação e pelo discurso. Agindo e falando um homem transforma sua vida e a vida de muitos outros homens. Assim constrói a história.

Assim ele fez. E ao fazer-se único, doou-se por inteiro ao próximo. Doando-se, fez-se grande. Grande, fez-se amado. Amado, tornou-se inesquecível.

O Padre Léon Grégoire não ficou imóvel, não se permitiu ser apenas uma pedrinha no oceano, mas moveu as águas, construiu para si o caminho do fecundo missionário, direcionou a trajetória de sua vida para o acolhimento de uma nova pátria e tomou como meta a efetivação das palavras do Cristo: “Amai-vos uns aos outros como vos amei”.

Sua voz levou, por mais de meio século, as palavras do Cristo a inúmeros corações aflitos. Suas palavras traziam a Boa Nova, davam conforto a muitas almas e semeavam seu amor. Desse amor despretensioso e puro brotaram todas as suas obras. Sua mão, sempre estendida, doava de bom grado tudo o que tinha e nada esperava em troca. De suas mãos, muitas bocas se alimentaram. Suas mãos enxugaram muitas lágrimas, modificaram o curso de muitas vidas, abrigaram famílias e mais famílias, e apontaram o caminho para inúmeras pessoas que não tinham direção. Suas obras semearam por onde passou um amor sincero e uma fraternidade inabalável, retirados de sua própria vida.

Assim, o Padre Gregório, por seus atos e palavras, mudou o curso da história de Nossa Senhora da Glória, cidade que adotou carinhosamente como lar, e tornou-se um símbolo de amor ao próximo, de fraternidade e de humildade para todos os que o conheceram. Um símbolo não morre. Um símbolo ganha novos sentidos, transforma-se, rompe os limites do tempo e da vida individual para se perpetuar no imaginário das pessoas. Enquanto símbolo, o homem alcança uma espécie de imortalidade, pois sua grandeza reside em sua capacidade de realizar feitos que possam pertencer à eternidade, sendo lembrados indefinidamente. Por isso Padre Gregório é inesquecível.
Jorge Henrique, 03 de janeiro de 2011.

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Poucas Palavras…

Em meio a esse clima conflituoso de profunda tristeza e grande saudade, o que dizer sobre Padre Léon Gregório? Como descrevê-lo? Como se referir a alguém que procurou minimizar suas imperfeições humanas, esquecendo suas próprias vontades em favor da alegria sentida ao ajudar o próximo? Realmente é difícil descrevê-lo, sobretudo, quando se tem no coração o aperto implacável causado pela perda de alguém tão querido.

Todavia, sua partida acende em “nós” o sentimento e a vontade de dizer, mesmo em poucas e simplórias palavras, o quão importante e marcante foi Padre Gregório na vida de todos os glorienses.



Em 25 de março de 1925, nasce, num pequeno vilarejo nas redondezas de LIEGE/BÉLGICA, uma criança comum que no futuro se tornaria o homem que marcaria para sempre a memória histórica da cidade de Nossa Senhora da Glória. Mais que isso, nasce um ser humano capaz de renunciar a si mesmo para ajudar ao próximo.

Sua linda história foi marcada por inúmeras provações. Dentre elas, uma das mais importantes, senão a mais marcante, foi sua participação na 2ª Grande Guerra como guerrilheiro belga, pois chegou até ser condenado à morte pelos nazistas. Tendo sido tocado por tamanho sofrimento humano em sua experiência na Guerra, sentiu despertar no íntimo sua vocação missionária, para a qual dedicou até o último suspiro de vida.

Ordenou-se padre em 1953 e foi pároco em Propriá, Canhoba, Amparo do São Francisco e Telha antes de assumir a paróquia de Nossa Senhora da Glória, em 21 de março de 1971. Dentre suas inúmeras obras sociais, estão a fundação do Povoado São Clemente (popular Vila do Padre), o asilo, a creche Sorriso de Criança, o Jardim de Infância Pequeno Príncipe (atual Escola Padre Léon Gregório), o orfanato, pastoral da criança, Projeto Luz do Sol, Colégio Nossa Senhora da Glória (2º grau), várias igrejas nas comunidades do município, além de uma produção enorme de milhares de mudas de árvores, uma vez que era um profundo amante da natureza.

Minhas sinceras desculpas se não mencionei aqui outras obras, quero ressaltar que todas possuem igual importância.

Não nos atenhamos, no entanto, na quantidade de obras realizadas e sim na qualidade delas, pois mais importante do que o quanto ele fez é o modo como fez, renunciando suas próprias necessidades para estender a mão a quem mais precisava. Atitudes como essas, dignas de um “apóstolo de DEUS” (assim descrito por Padre Márcio em entrevista) que nos deve fazer refletir sobre o que estamos fazendo hoje como seres humanos.

É, portanto, imprescindível que tenhamos consciência do grande ser humano que foi o Padre Gregório e que percebamos em sua vida um exemplo de humanismo a ser seguido. Assim como outros grandes homens na história da Humanidade, o Padre Gregório marcou para sempre a história dessa cidade. Certamente ele não morreu, pois como dizia o Filósofo Santo Agostinho: “o segredo da imortalidade é viver uma vida que valha à pena ser lembrada”. Sem dúvida, Léon Gregório imortalizou-se em suas obras.

Em nome da equipe de funcionários
da Escola Padre Léon Gregório

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